quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Da arte de programar o inevitável

Sabe, tem dias que eu fico absolutamente ensandecido pra vir aqui dizer alguma coisa. Mas daí eu não digo e a alucinação passa.




Passa porque nem tudo deve ser dito pra ficar registrado ou porque o simples fato de querer por pra fora já me foi suficiente. E também não sei se quero tornar isso daqui (mais) retrato da vida, (mais) cadeira da Cris, (mais) espelho côncavo.




Tá, é inevitável. Eu já sou engraçadinho nos outros instrumentos virtuais, não preciso ser assim tão caramujo, né? E quase ninguém mais bloga hoje em dia. Ler os que persistem, menos ainda.




Eu insisto (com total displicência) porque a única coisa que eu acho que sei fazer da vida é escrever (dançar, beber e ser lindo é consequência).




Mas o fato é que hoje, hoje, oitavo dia do mês de setembro, quinto dia útil, a última quinta-feira antes dos dez anos dos atentados nas torres yankes, eu percebi que os caminhos que tenho trilhado são, cada vez mais, fidedignos daquilo que em um excelente momento de clareza eu penso.




Explico: em uma certa ocasião, eu parei e achei que eu precisava ter um grupo lindo e constante de amigos gays, que me fosse efetivamente presente, que se desse às baladas, às viagens, às cachaças, aos filmes, às pegações, às reuniões em casa, à vida. Não que eu não os tivesse antes, ou que esses não me fossem suficientes, mesmo porque eu sei bem que, com os que já estavam, há incondicionalidade.




Mas sabe quando você vai pra boemia e vê um grupinho se divertindo às pampas, rindo de tudo, dançando e bebendo (eita, A.A.!), lindos, solteiros, felizes? Pois então... Eu queria isso de novo, agora sem ser fruto de caso antigo, de sexo passado, de amor desencontrado que virou fraterno.




Eu precisava dos novos e que eles surgissem pela minha capacidade de fazê-los, pela minha possibilidade de ser amigo. E, confesso, deu certo.




Mas eu dizia que minhas pretensões têm caminhado ante os meus momentos de clareza, né? Eu acho que um outro momento assim está próximo, bem mais do que imagino.




Sou desses, desse tipo de cara que programa o inevitável.

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